Sem ideias pré-concebidas mergulhei neste filme de Juan José Campanella. “El secreto de sus ojos” ganhou o Oscar correspondente ao melhor filme estrangeiro de 2009, despertando em mim alguma curiosidade, mas sofrendo do mal de tantos outros – caiu no esquecimento provocado pelos blockbusters.
Um thriller latino que serve de antítese para a maioria das produções de Hollywood actuais. Visualmente tem tanto de elementar como de apelativo, comprovando a possibilidade de produzir uma obra sublime sem o recurso às mais actuais técnicas de efeitos especiais gerados por computador.
É um filme de complementos. A performance dos actores é complementada pelo excelente trabalho de câmara, que prima pela sábia utilização da reduzida profundidade de câmara que obriga o espectador a concentrar-se nos actores. Todos estes elementos são depois acompanhados por uma banda-sonora minimalista que não procura nunca ganhar protagonismo e um guião sóbrio e genial na forma como se reinventa.
O enredo parece por vezes ingénuo, caindo em clichés e lugares-comuns, facto que se prende com o desenrolar da própria história. Isto reforça o amadorismo da personagem central na escrita do seu romance, adicionando mais um pormenor delicioso à obra cinematográfica.
Apenas se aponta uma cena mal conseguida, lembrando que este não se trata de um filme perfeito. Fácilmente perdoável pela obra-prima que esta produção é no seu todo e nos seus vários elementos em particular.
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