Assistimos neste momento ao despontar de um novo conceito. Com o lançamento do iPad e todas as subsequentes interpretações que surgirão num futuro cada vez mais próximo, estamos à beira de uma verdadeira revolução digital. Existe agora, mais do que nunca, uma necessidade de reinventar a forma como os conteúdos são distribuídos.
A distribuição física, em papel, está condenada. É algo inevitável, apenas não existe a certeza se a transição durará um ano ou dez. Esta transição é uma questão central quando falamos do sucesso das publicações. Alguns jornais pensam já num modelo de transição – ver o exemplo do New York Times.
As vantagens de uma distribuição através da Internet são imensas. Para começar os custos envolvidos são muito menores, o que por sua vez leva a que as publicações sejam cada vez mais baratas de adquirir. A informação chega assim mais rapidamente ao consumidor e possibilita uma interacção sem precedentes com o mesmo.
Não tenho portanto dúvidas de que nos próximos anos iremos assistir a uma selecção natural que irá fazer com que muitas publicações desapareçam e outras prosperem. É a última oportunidade para as publicações mais pequenas, onde os lucros são muito baixos e há uma enorme dependência da publicidade, que decresce a um ritmo frenético nos meios físicos.
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Se fosse tudo assim tão simples.
Mas cada caso terá de ser analisado como um caso único.
A distribuição através da Internet ainda não está generalizada. Infelizmente.
A isso também é preciso acrescentar a atenção que se dá a conteúdos on-line – qualquer texto acima dos 1500 caracteres é lido apenas por um grupo muito restrito de pessoas ou se o assunto te interessar realmente.
Quando queres comunicar de uma forma contextualizada e que possa implicar grande quantidade de conteúdo, nada igualará nunca o papel, que nunca precisa de recarregar bateria.
E não é preciso sequer entrar pela questão do público-alvo, pois não?
Como sabes, sou um utilizador compulsivo das novas tecnologias e gostaria de adaptar cada vez mais a Pormenores a todas as plataformas disponíveis a um projecto editorial como este. Mas não existe ainda um acesso generalizado aos conteúdos on-line e, acima de tudo e o mais importante para mim, nada irá nunca substituir o papel – mesmo tendo eu visto – 2 vezes – a apresentação do Steve Jobs e ficado completamente convencido que iPad e futuros dispositivos idênticos abrirão inúmeras e inexploradas formas de comunicar de forma mais eficaz, atraente e rentável.
Para confirmares que eu devo ter sido um percursor da “iDeia” ou iConceito do iPad – pelo menos, da minha “formatação” a uma necessidade que um dispositivo destes vem agora dar resposta – convido-te a dares um salto a este meu post:
http://prometeuvsrosebud.blogspot.com/2008/04/mudam-se-os-tempos.html
Repara que foi escrito no dia 9 de Abril de 2008.
Eu sou “iDiota”. Faltam-me é meios para concretizar as iDeias.
Abraço
P.S. Nunca mais escrevas “A distribuição física, em papel, está condenada” e devolve-me os meus livros, em papel. Depois de os leres, claro.
Pareces o grande profeta apocalíptico Karl Popper que disse, quando apareceu a televisão, que a rádio estaria condenada a desaparecer.
Deixa os prognósticos para o fim dos jogos.
Claro que a implementação não será de todo um processo para as massas. E acho que as publicações como os jornais locais, entre outras irão durar bastante tempo. Mas a nível das médias/grandes publicações, sobretudo diários, a chave está neste processo de transição.
Ao contrário do que se passou com a televisão, não estás a criar um meio inteiramente novo de suporte. Não estás a acrescentar nada que não exista já. Não há nada de novo, apenas uma forma diferente de fazer as coisas.
Sinceramente acho mais fácil alguém andar com um aparelho destes do que com dois ou três jornais ou revistas. Sobretudo se conseguir os mesmos conteúdos a um valor mais baixo.
Os números dos últimos anos sugerem isto mesmo, que o papel se torna cada vez mais residual. Será um pouco como o vinil no mundo da música.