Conhecer o Inimigo – A Nicotina

Alvo de variados estudos, são hoje em dia reconhecidos pela sociedade os malefícios do consumo de tabaco. Eu próprio enquanto fumador activo reconheço os malefícios que este hábito me traz. Talvez por isso surja agora a oportunidade de estudar com mais profundidade o que leva a que este vício esteja tão enraizado nas pessoas. Como todos os problemas e decisões decidi encarar esta problemática por fases. A primeira será esta, conhecer um pouco melhor os efeitos que o tabaco produz, o que o torna num vício tão grande.

O consumo regular de tabaco causa elevada dependência pela existência de um poderoso alcalóide psicoactivo chamado nicotina. Por outras palavras a nicotina é um poderoso estimulante, que interage com os centros de prazer do cérebro criando um reforço positivo que nos impele a continuar com o hábito. Por outro lado a nicotina, por ser altamente viciante produz um efeito de ressaca quando retirada do sistema o que provoca um reforço negativo desencorajando uma paragem no consumo da mesma.

Estudos recentes em animais vêem comprovar que a nicotina causa assim interacções muito complexas ao nível dos sistemas de reforço e recompensa do cérebro, provocando não só uma dependência física como também psicológica. Isto explica como o consumo da nicotina pode baixar os níveis de ansiedade para um consumidor habitual de tabaco e todo o processo de reajustamento que ocorre quando se tenta largar este vício.

Este é portanto um dos principais problemas do tabaco. Os efeitos da nicotina fazem-se sentir até muito tempo depois de ela ser completamente eliminada do organismo. No caso de ratos de laboratório chegaram a demorar 36 dias até voltarem ao seu comportamento normal, idêntico ao do grupo de controlo. Esta é uma das principais razões para um fumador apenas passar a ser considerado não fumador ao fim de 5 anos de largar o vício. Isto para as estatísticas, segundo a minha médica de família.

Não querendo desmotivar ninguém que esteja a deixar de fumar, muito pelo contrário, pois uma das coisas mais importantes para deixar o hábito é motivação, a chamada força de vontade. Mas é uma batalha dura no início e que pode levar muito tempo a vencer. Uma pessoa tem de estar preparada para isso. Pois as constantes tentativas seguidas de fracasso só ajudam a fortalecer este reforço negativo.

150º Artigo – Balanço

Estes 150 artigos parece que demoraram a passar. Nunca fui muito de comemorações, no entanto, este não deixa de ser um marco na história do blog. Ainda faltam no entanto dois meses para este completar um ano. Foi sem dúvida um projecto pessoal de parto difícil e sem anestesia. Ao longo destes sensivelmente dez meses escrevi aqui um pouco de tudo, mas sem dúvida que perder uma parte da base de dados se tornou algo positivo para o desenvolvimento do blog.

Infelizmente o grande boom deu-se aquando da notícia de que a Playboy iria lançar uma edição portuguesa da sua publicação. Durante semanas batalhei para tentar criar conteúdos de interesse que pudessem fazer frente a esse artigo. Inevitavelmente foi o tempo que se encarregou de fazer isso cair no esquecimento. Deu-se depois o início de uma fase de conteúdos mais curtos e simples.

Mais recentemente este blog passou pela sua fase “Tardes da Júlia” com imenso conteúdo mais pessoal e digamos dramático. Isto no sentido de que os artigos dramatizaram um pouco tudo o que se foi passando em meu redor. Chegou agora a altura de retomarmos a normal programação. Continuarei sem dúvida a produzir os conteúdos que tanto agradam aos leitores.

Um muito obrigado a todos por visitarem o meu pequeno canto na “Aldeia Global” e lhe darem toda esta dimensão que nunca esperei que tivesse.

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7 Coisas Para Se Divertir de Forma Grátis

Hoje decidi elaborar um artigo de conselho ao consumidor. Reunir algumas coisas divertidas para se fazer que não custem um cêntimo. O objectivo não é que façam estas dez coisas. Escolham apenas algumas que gostem, desta forma, já sabem o que podem fazer quando as finanças entram em colapso.

1. Reciclar e Reaproveitar Materiais Velhos ou Gastos

Um bom exemplo seria o de reaproveitar as vossas velhas calças de ganga, t-shirts ou outro tipo de roupa para fazerem artigos interessantes. Com sorte e se tiverem jeito para coisa ainda podem vender as coisas pela Internet e fazer uns trocos. Quem diz roupa diz aqueles aparelhos que têm guardados com os quais podem fazer um pouco de bricolage e transformar em verdadeiras obras de arte.

2. Praticar Desporto

Não é preciso ter uns ténis topo de gama para ir correr ou simplesmente fazer uns abdominais. Com a quantidade de informação disponível na Internet até podem começar a praticar alguns desportos em casa, como Yoga por exemplo. Aconselho no entanto prudência na selecção das fontes de informação.

3. Sexo

Este pode ser um pau de três bicos. Antes do mais para praticar sexo seguro são precisos preservativos. Teoricamente isto custaria dinheiro não fossem eles e outros métodos contraceptivos distribuídos de forma gratuita nas consultas de planeamento familiar. É uma questão de se deslocarem ao vosso centro de saúde. Claro que acidentes acontecem e neste caso até podem sair bem caros, se é que me faço entender.

4. Ler e Escrever

Os livros não andam propriamente baratos em tempo de crise, sobretudo os bons livros. Mas há muita coisa interessante para ler na Internet só têm de saber procurar. Quanto ao escrever, lápis e papel serve, mas se não quiserem gastar um tostão têm serviços como o Google Docs que vos permitem já escrever de uma forma muito similar à de um editor de texto. Se estão a ler isto então é porque têm acesso a Internet ou seja nada de custos acrescidos.

5. Explorar um Assunto do Vosso Interesse Com um Blog

Existem muitas plataformas de blogging gratuitas na Internet como o Wordpress.com ou o Blogger. Nunca se sabe quando podem tirar partido de um nicho de mercado inexplorado e ter montes de visitas. Isto abre a possibilidade para fazerem uns trocos com alguma publicidade que possam depois incluir no blog.

6. Passear

Seja pelo jardim, à beira-mar para os sortudos que vivem perto dele, o que importa é largar os veículos consumidores de energia e dar uso as pernas, de preferência com companhia, para tornar a experiência mais agradável e interessante. A longo prazo podem fazer como eu, vão passear com uma maquina fotográfica que fica mais barata que uma namorada. (brincadeira)

7. Scrapbooking

Estão a ver aqueles cadernos vazios que têm em casa dos tempos em que fingiam que estudavam? Está na altura de lhes darem algum uso. Peguem naqueles bilhetes que trocaram nesses tempos com os vossos colegas, fotografias, bilhetes de concertos, enfim, tudo o que possa servir para mais tarde recordar determinados momentos da vossa vida. Agora vem a parte complicada, como prender as coisas ao caderno sem gastar dinheiro. Ou têm uns tubos de cola aí por casa a secar, ou uns restos de uns rolos de fita cola. Podem sempre andar na rua a catar pastilhas do chão e usar como “Bostix”.

Saudades da Vida Boémia

Saudades das noites que passávamos enquanto grupo coeso do qual fazia parte. Infelizmente por circunstâncias das quais não estou alheio de culpa, o afastamento gradual cavou um fosso entre este grupo. Reuníamos pelo menos duas vezes por semana para ensaiar, fora as noites em que simplesmente nos encontrávamos todos simplesmente para beber um copo. Ainda me junto de quando em vez com eles, mas a minha presença nos ensaios tornou-se quase nula, fantasmagórica ou espectral. As músicas que tanto prazer me traziam, começaram a trazer todo um outro conjunto de emoções.

Sentia-me cada vez mais dominado por uma profunda tristeza e até algum desespero ao cantar e tocar aquelas músicas. Tentei sempre lembrar-me dos bons momentos, na verdade, nunca tive maus momentos dentro do grupo que quisesse apagar da memória. A única conclusão a que consigo chegar é que algo mudou, dentro de mim ou no seio do grupo, que me fez perder a alegria de ser um dos escolhidos. Agora é tarde e estou cansado, infelizmente ainda tenho muito que fazer antes de dormir. Espero que tudo isto seja uma fase, e que eventualmente acabe por passar, embora dure já quase há um ano. Seja como for, hei-de sempre pertencer a este grupo.

A Chuvada Explicada

Depois de conversas com pelo menos 6 pessoas acerca da chuvada que apanhei no Domingo decidi explicar da melhor maneira possível. Com um mapa, assim têm mais ou menos a noção do caminho que percorri debaixo de água. Aproveitei já que falava com a Ana e aplico aqui o mapa da coisa.

Ora portanto a partida foi do ponto A, no ponto B (a chamada ponte da légua) começou a chover terminando apenas de chover no ponto C. Incrível como não apanhei nenhuma doença.

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Montemor – “Cidade Preocupada”

Tal como já tinha previamente relatado, o meu fim de semana não se ficou pelo passeio a Nisa. Tinha eu chegado haviam poucas horas e recebo um telefonema. Era um convite para assistir a estreia de uma curta-metragem em Montemor-o-Novo. Uma obra da autoria de José Miguel Ribeiro intitulada “Passeio de Domingo”. Chegámos todos com bastante tempo de antecedência, ainda deu para petiscar qualquer coisa e beber uma cerveja numa esplanada.

Não vou discutir aqui os aspectos técnicos da “curta”, não tenho conhecimentos para tal. No entanto a história, embora curta, como seria de esperar, conseguiu dar-me uma lição de vida em menos de 20 minutos. O que quero com isto dizer, é que por vezes todos nós ignoramos os concelhos dos outros, deixamos que a nossa própria personalidade tome conta dos acontecimentos. Quando nos apercebemos dos erros que cometemos é demasiado tarde. As desculpas que podemos pedir depois nada servem. Não está nas nossas mãos sermos perdoados. E por vezes as pessoas até conseguem uma vida melhor sem nós. Mas nunca devemos desistir de tentar mudar. Nunca devemos abandonar quem nos abandona por nossa culpa.

Depois da curta felicitamos o José Ribeiro, que já previamente tinha sido entrevistado para a revista Pormenores. Gentilmente acabámos por passar o resto do serão com o José e a sua família para assistir ao resto dos eventos do ultimo dia do festival “Cidade Preocupada”. Teve a gentileza de nos arranjar uma refeição que estava muito boa. Infelizmente o meu estômago não permite grandes aventuras então tive de me ficar pelas azeitonas, pão e esta magnífica sopa:

O meu jantar

Já ao sair da cantina, e quero desde já dar os meus parabéns a cozinheira, a sopa estava fantástica, encontrei uma preciosidade já com alguns anos, provavelmente mais que eu, em quase perfeito estado de conservação estacionada dentro da escola primária onde jantamos.

Bicicleta Peugeot

Não encontrei o dono para dar uma pedalada por Montemor, teria sido uma forma diferente e divertida de digerir a sopa que repeti duas ou três vezes, já me falha a memória.

Depois deste magnífico manjar fomos até um antigo convento onde se desenrolam algumas actividades culturais. Fiquei fascinado com o aspecto algo degradado, no entanto preservado do espaço. A arquitectura fez-me recordar a de algumas igrejas que vimos em alguns jogos passados em épocas medievais mas com um certo charme. No interior no entanto não há muito para dizer. Acabamos por assistir a uma performance de expressão dramática e voltámos para Portalegre.

Aos meus companheiros de viagem, as minhas desculpas por terem de me aturar durante a tarde e a noite.

O Regresso de Nisa

Concluo assim a minha série de artigos sobre o meu retiro espiritual. Confesso que de manhã cedo nem me queria levantar da cama. Tantas eram as saudades que tinha de nela dormir, o cansaço que o meu corpo tem acumulado e “ninho” perfeito que tinha criado durante a noite, naquele espaço. Estranho mas no entanto tão familiar. Pensei, o que tem de ser tem muita força, tens um caminho a percorrer e não estará completo sem o regresso a casa. Não é bom viver no passado, basta apenas recordá-lo com saudade.

Pulei da cama, e em menos de nada já tinha o equipamento vestido. Comi o pequeno almoço, calcei uns ténis e fiz um pequeno aquecimento em corrida. Um pouco de exercício cardiovascular com moderação nunca fez mal a ninguém e até é um bom aquecimento. Voltei a casa para buscar os sapatos e a bicicleta para me fazer a estrada, adivinhava-se chuva e queria ver se conseguia fugir dela.

Arranquei e fazia um certo frio, mesmo depois de 15 minutos a pedalar já pensava nas minhas calças de inverno. Mas 5 minutos depois, quando normalmente atinjo o meu ritmo certo já nada mais importava senão o alcatrão que se estendia a minha frente. O regresso foi feito sem os romantismos e distracções da ida.

Para mal dos meus pecados mal chego a famosa “Ponte da Légua”, onde muitas vidas já se perderam, começa a chover, primeiro levemente, mas depois mais intensamente. Chuva que se prolongou quase toda a recta das pedreiras de Alpalhão. Embora me sentisse forte e bem duas coisas me preocupavam. O facto de não saber se o Camelback era a prova de água por causa do PDA, e o facto de sentir a temperatura corporal a descer rapidamente.

Felizmente depois de Alpalhão apanhei uma aberta quase até ao cruzamento da Alagoa, onde já cheguei quase completamente seco e quente mais uma vez. Estranho que o pensamento de desistir nunca me passou pela cabeça durante todo o caminho. Desliguei completamente de mim e do mundo que me rodeava. Só voltei a acordar quando vislumbrei a cidade de Portalegre.

Já em casa parei um pouco para reflectira na viagem e no fim-de-semana. Felizmente não acabou por aqui. Mais novidades amanhã, com algumas fotos da tarde de hoje. Que venham mais fins-de-semana como este. Já que este infelizmente chegou ao fim.

Nisa, o Regresso às Origens

Chegado a Nisa e já com banho tomado fui com o meu avô as compras. Precisava de “mantimentos” para a viagem de volta. Umas latas de Isostar, umas bolachas da Proalimentar de fácil digestão. Entre outros artigos necessários para o jantar. Posteriormente acabámos por decidir encomendar uns frangos, sempre era esse trabalho que eu não tinha de ter. Adoro cozinhar para a minha avó.

Como tínhamos ainda algum tempo para “matar” decidimos, eu e o meu avô, ir até um dos cafés da zona. Comi umas empadas de frango caseiras que nem meia-hora tinham de ter saído do forno. Isto enquanto bebíamos uma cerveja bem gelada, observávamos o jogo do Benfica-Belenenses e conversámos sobre os factos da vida. Um momento de união a que apenas estou acostumado a ver em filmes. Falámos um pouco de tudo. Preocupações, alegrias, tristezas, tanto de uma parte como de outra. Ficava ali para todo o sempre. Naquele lugar que para mim se tornou especial, porque a companhia o tornou especial.

Depois de jantar desafiei os meus avós a um passeio a pé, para desentorpecer as pernas. Eles sem relutância para meu espanto aceitaram. Mas acho que eles comigo iriam até ao fim do mundo. Nesse passeio muitas coisas especiais aconteceram, falámos muito os três, mas outra parte igualmente importante estaria para vir. O percurso, que eles escolheram, foi quase perfeito, passei pelos jardins onde tantas paixões da minha juventude conquistei, passei por sítios mais abrigados onde me lembro de ter trocado o primeiro beijo com a rapariga que mais tarde me ensinaria o acto do amor. (Coisa mais pirosa de se dizer.)

Estas e muitas mais lembranças invadiram-me a mente, fizeram-me acreditar num conselho que muitas vezes ouvi.

Por vezes é preciso dar um passo atrás para dar dois em frente.

Lembranças de um tempo em que o futuro não era importante, e que o passado era o que tinha comido no dia antes. Vida sem preocupações. Vida simples e sempre a avançar para a frente. Tal como tenho tentado fazer sempre que pego na minha bicicleta para aliviar todas as tensões acumuladas ao longo do dia.

Tenho saudades desse tempo, em que nada me fazia sofrer, mas pensando bem, nada me completava e fazia de mim uma pessoa completamente feliz. Esse tempo nunca mais vai voltar. Com a idade as coisas tornam-se sérias, com repercussões que muitas vezes não esperamos. Mas fica aqui a dica a todos. Se alguma vez encontrarem uma parede que não conseguem partir. Dêem um passo atrás, o balanço de certeza que vai ajudar.